sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

The Night Before Christmas (original–português)

1822, Clement Clarke Moore - A Noite Antes do Natal (tradução livre por José Roitberg)

Era a noite antes do Natal,
Quando através da casa,
Nenhuma criatura se movia, nem mesmo um rato.

As meias estavam penduradas na chaminé com cuidado,
Na esperança de que São Nicolau logo estivesse lá;

As crianças estavam aninhadas todas aconchegadas em suas camas,
Enquanto visões de ameixas açucaradas dançavam em suas cabeças;

E mamãe com seu “lenço de inverno” e eu com meu gorro,
Tínhamos começado nos preparar para um longo cochilo de inverno.

Quando lá for a no gramado ouviu-se uns tinidos
Eu saltei da cama para ver o quer era.
Depressa para a janela eu fui como um raio,
Puxei as cortinas e joguei longe sua faixa.

A Lua sobre a neve recém caída
Dava um brilho de meio-dia aos objetos lá embaixo.

Quando, o que apareceu perante meus olhos desejosos,
Foi um trenó em miniatura e oito pequenas renas,
Com um pequeno velho condutor, tão vivo e tão rápido,
Eu sabia em um momento que tinha que ser São Nick.

Vieram mais rápidos que águias,
E ele assobiava e gritava e os chamava pelos nomes;
“Agora Dasher! Agora Dancer! Agora Prancer e Vixen!
Vai Comet! Vai Cupid! Vai Donner e Blitzen!
Para cima da varanda! Para cima da parede!
Agora saltem! Saltem! Saltem todos!”

E como folhas secas antes do furacão eles voaram,
Quando eles encontravam um obstáculo, subiam ao céu,
Então voaram para cima do telhado,
Com o trenó cheio de brinquedos e São Nicolau também.

E então em um cintilar eu ouvi no telhado
Cada pequena rena empinando e batendo com as patas.

Quando eu entendi e estava me virando,
São Nicolau veio pela chaminé com pulo.

Eles estava todo vestido com peles, da cabeça aos pés,
E suas roupas estavam manchadas pelas cinzas e fuligem;

Vários brinquedos estavam pendurados nas suas costas,
E ele olhou como um “vendedor” abrindo seu pacote.

Seus olhos - como eles brilhavam!
Suas covinhas tão felizes!
Suas bochechas eram como rosas e seu nariz como uma cereja!
Sua pequena boca estava sorrindo como um arco,
E a barba em seu queixo era branca como a neve.

Segurava forte um cachimbo entre os dentes,
E a fumaça envolvia sua cabeça como uma grinalda.

Ele tinha um rosto largo e uma pequena barriga arredondada,
Que balançava quando ele ria como uma bacia cheia de geleia
Ele era gorducho e rechonchudo, a visão de um velho elfo,
E eu ri quando o vi, a despeito de mim mesmo.

Um piscar de seus olhos e um virar de sua cabeça,
Logo me fizeram entender que eu não tinha nada para temer;
Ele não disse uma palavra, mas foi direto ao trabalho,
E encheu cada uma das meias, então se virou de súbito,
E colocando o dedo ao lado de seu nariz,
E dando um aceno com a cabeça, subiu pela chaminé.

Ele saltou para seu trenó e deu um assobio para sua equipe,
E para longe eles voaram como queda de um carvalho
Mas eu ouvi ele dizer enquanto ele sair de vista,
“Feliz Natal para todos e para todos uma boa noite”.

The Night Before Christmas (original)

1822, Clement Clarke Moore

Twas the night before Christmas, when all through the house,
Not a creature was stirring, not even a mouse.

The stockings were hung by the chimney with care,
In hopes that St. Nicholas soon would be there;
The children were nestled all snug in their beds,
While visions of sugar-plums danced in their heads;

And mamma in her 'kerchief, and I in my cap,
Had just settled down for a long winter's nap,
When out on the lawn there arose such a clatter,
I sprang from the bed to see what was the matter.

Away to the window I flew like a flash,
Tore open the shutters and threw up the sash.

The moon on the breast of the new-fallen snow
Gave the lustre of mid-day to objects below,
When, what to my wondering eyes should appear,
But a miniature sleigh, and eight tiny reindeer,
With a little old driver, so lively and quick,
I knew in a moment it must be St. Nick.

More rapid than eagles his coursers they came,
And he whistled, and shouted, and called them by name;
"Now, Dasher! now, Dancer! now, Prancer and Vixen!
On, Comet! on Cupid! on, Donner and Blitzen!

To the top of the porch! to the top of the wall!
Now dash away! dash away! dash away all!"
As dry leaves that before the wild hurricane fly,
When they meet with an obstacle, mount to the sky,
So up to the house-top the coursers they flew,
With the sleigh full of toys, and St. Nicholas too.

And then, in a twinkling, I heard on the roof
The prancing and pawing of each little hoof.
As I drew in my head, and was turning around,
Down the chimney St. Nicholas came with a bound.

He was dressed all in fur, from his head to his foot,
And his clothes were all tarnished with ashes and soot;

A bundle of toys he had flung on his back,
And he looked like a peddler just opening his pack.

His eyes -- how they twinkled! his dimples how merry!
His cheeks were like roses, his nose like a cherry!
His droll little mouth was drawn up like a bow,
And the beard of his chin was as white as the snow.

The stump of a pipe he held tight in his teeth,
And the smoke it encircled his head like a wreath.
He had a broad face and a little round belly,
That shook when he laughed, like a bowlful of jelly.

He was chubby and plump, a right jolly old elf,
And I laughed when I saw him, in spite of myself.

A wink of his eye and a twist of his head,
Soon gave me to know I had nothing to dread;

He spoke not a word, but went straight to his work,
And filled all the stockings; then turned with a jerk,
And laying his finger aside of his nose,
And giving a nod, up the chimney he rose;

He sprang to his sleigh, to his team gave a whistle,
And away they all flew like the down of a thistle.
But I heard him exclaim, ere he drove out of sight,
"Happy Christmas to all, and to all a good-night."

História do Natal

© 2000 José Roitberg - atualizado em dezembro 2012
fale com o autor roitberg@gmail.comVocê encontra centenas de propagandas antigas para o Natal e cartões de Natal do século XIX e início do XX em http://jipemania.com/coke


Antes de Cristo

Desde tempos ancestrais o meio do inverno é o momento de celebrações em todo o mundo. Séculos antes de Jesus, os antigos europeus celebravam a luz e o nascimento do mais escuro e longo dos dias do inverno.

Muitos povos se reuniam no solstício de inverno quando o pior do inverno ficava para trás e eles podiam olhar em frente, esperando por dias mais longos com mais luz do sol. No Brasil é o solstício de verão, quando temos o dia mais longo com luz do Sol.


Escandinávia

Na Escandinávia, o Yule era celebrado no dia 21 de dezembro, o solstício de inverno. Em reconhecimento ao retorno do Sol, pais e filhos traziam grandes toras de madeira, que incendiavam. As pessoas comemoravam até o fogo se apagar, o que podia levar até 12 dias.

Os nórdicos acreditavam que cada fagulha representava um novo porco ou gado que iria nascer durante o ano seguinte. O final de dezembro era a época perfeita para celebrar na maior parte da Europa.

Nesta época do ano a maior parte do gado já havia sido abatida para que ele não tivesse que ser alimentado durante o inverno. Para muitos, era a única época do ano para conseguir carne fresca.

Além disso, a maior parte do vinho e da cerveja feita ao longo do ano já estava fermentada e pronta para consumo.


Alemanha

Na Alemanha, as pessoas honravam o deus pagão Oden, durante o meio do inverno. Os alemães tinham muito medo dele por causa de seus bem conhecidos vôos noturnos no céu nos quais ele definia quais pessoas iriam prosperar e quais iriam perecer. Por causa da presença dele, a maioria das pessoas ficava dentro de casa.

Oden é a pronúncia nórdica e centro-europeia para Odin, o “deus-chefe” do Valhalla, moradia dos deuses na mitologia da Escandinávia, que antes da chegada do culto ao deus único se espalhou pelo norte e centro da Europa.


Roma

Em Roma, onde os invernos não eram tão fortes quanto no norte da Europa, existia a Saturnália, em honra a Saturno, deus da agricultura. Começava na semana antes do solstício de inverno e continuava por um mês.

A Saturnália era um tempo de fartura, onde comida e bebida eram disponíveis e a ordem social romana era virada de ponta-cabeça. Por um mês, os escravos se tornavam mestres. Pessoas normais comandavam as cidades. Negócios e escolas eram fechados para todos se juntarem às festas. Era uma das épocas em que as orgias romanas eram mais ativas.

Também em torno do solstício de inverno, os romanos observavam a Juvenália, honrando as crianças de Roma. Membros das classes dominantes também celebravam o nascimento de Mithra, deus do Sol, no dia 25 de dezembro. Acreditava-se que Mithra, um deus infantil, havia nascido de uma pedra. Para muitos romanos, era o dia mais sagrado do ano.


Depois de Cristo

Nos primeiros anos do cristianismo, a Páscoa ou a Ressurreição era o feriado principal. O nascimento de Jesus não era celebrado.

No século IV, oficiais da Igreja decidiram instituir o nascimento de Jesus como feriado. Mas havia um problema: a Bíblia não menciona a data de seu nascimento.

Apesar de algumas evidências sugerirem que o nascimento de Jesus ocorreu na primavera, o Papa Julius I (337 DC a 352 DC) escolheu 25 de dezembro.

Alguns estudiosos acreditam que a Igreja adotou esta data num esforço de absorver as tradições pagãs do festival romano da Saturnália.

Primeiro foi chamado de Festa da Natividade. O costume se espalhou para o Egito em 432 DC e chegou até a Inglaterra no final do século VI. Esse nome foi mantido ou adaptado nos países de língua latina. Em espanhol continua-se comemorando a Navidad e em português o Natal (de natalício, nascimento)

Ao final do século VIII, a Natividade tinha-se espalhado por toda a Escandinávia. Hoje, as Igrejas Ortodoxas grega e russa, celebram o Natal no dia 6 de janeiro, também referido como o Dia dos Três Reis, que seria o dia em que os 3 Reis Magos teriam encontrado Jesus na manjedoura.

Mantendo o Natal no mesmo período dos tradicionais festivais de solstício de inverno, os líderes da Igreja aumentaram as chances do Natal se popularizar e também conseguiram ter a habilidade de ditar como ele seria celebrado.

Na Idade Média o cristianismo tinha substituído a maior parte das religiões pagãs europeias. No Natal, os crentes iam à igreja, depois celebravam intensamente, se embebedavam, numa atmosfera carnavalesca.

Na Inglaterra a cada ano, um desocupado ou um estudante era aclamado como o “Lorde da Má Conduta” e os participantes brincavam com suas ordens e desmandos. Os pobres iam às casas dos ricos e exigiam a melhor comida e melhor bebida.

Se os donos da casa falhavam em fornecê-las, os visitantes os aterrorizavam. Natal se tornou uma época do ano em que as classes dominantes pagavam seus débitos reais ou imaginários com as parcelas menos afortunadas da sociedade. Aqui você também pode perceber de onde surgiu a tradição de “Gostosuras ou Travessuras” da festa americana do Halloween, além do conto "Conto de Uma Noite de Natal", de Dickens

Natal Proibido por Lei

No começo do século XVII, uma onda de reforma religiosa se abateu sobre a Europa e mudou a forma como o Natal era celebrado.

Quando Oliver Cromwell e suas forças Puritanas tomaram conta da Inglaterra em 1645, eles decidiram tirar a Inglaterra de seu rumo decadente e como parte desses esforços, cancelaram o Natal.

Por força popular, o rei Charles II foi reconduzido ao trono e com ele, voltou o Natal.

Os peregrinos, ingleses separatistas que chegaram à América em 1620, eram mais ortodoxos em suas crenças puritanas que Cromwell. Este é um dos fatores que se propaga até os dias hoje com ateístas e puritanos se posicionando contra a explicitação pública do Natal nos EUA.

Como resultado, o Natal não era um feriado na América. De 1659 até 1681, a celebração do Natal foi proibida por Lei em Boston. Qualquer um que demonstrasse espírito natalino era multado em 5 shillings.

Depois da Revolução Americana, os costumes ingleses foram abandonados, incluindo o Natal. O momento era de relegar os costumes do colonizador e criar uma identidade nacional americana. De fato, o Congresso estava em seção no dia 25 de dezembro de 1789, o primeiro Natal sob a nova Constituição. O Natal só foi declarado feriado federal em 26 de junho de 1870.

A versão americana de Santa Claus, recebeu essa inspiração de uma lenda Holandesa de Sinter Klaas, trazida por fazendeiros imigrantes no século 17 que se estabeleceram em Nova Iorque, chamada na época, de Nova Amsterdã, cidade que atraia os novos imigrantes holandeses pois foi fundada pelos holandeses que foram expulsos do Brasil, a maioria judeus que haviam sido expulsos de Portugal e Espanha pela Inquisição e imigrado para a Holanda, depois de tentar se fixar, durante vários anos em Olinda, Pernambuco.


Sinter Klass chega à Nova Iorque

washington-irving-7São Nicholas fez sua primeira aparição na cultura popular americana em 1773 e depois em, 1774, quando um jornal de Nova Iorque publicou uma matéria sobre o encontro de famílias Holandesas para honrar o aniversário de sua morte. O nome Santa Claus, evoluiu do original holandês Sinter Klass.

Numa matéria escrita em Nova Iorque, em 1809, Washington Irving (ao lado) descreve a chegada de St Nicholas, num cavalo, em cada véspera do dia de São Nicolau - 6 de dezembro.

 


Criado o Papai Noel Moderno

Clement_C._MooreEm 1822 um ministro episcopal, Clement Clarke Moore (ao lado), escreveu um poema de Natal para suas três filhas, intitulado “An Account of a Visit from St. Nicholas” - Um Relato da Visita de São Nicolau, também conhecido como “The Night Before Christmas” - A Noite Antes do Natal. Curiosamente Moore foi o primeiro a imprimir um dicionário de hebraico para inglês em 1809, com apenas 30 anos de idade.

Moore hesitou em publicar o poema devido à sua natureza frívola mas é o responsável pela moderna imagem de Santa Claus, como “um elfo rechonchudo” com habilidades sobrenaturais de subir por uma chaminé apenas levantando sua cabeça. (texto completo em inglês no final deste trabalho)

nightbefore2Uma senhora chamada Harriet Butler conseguiu o texto com um dos filhos de Moore e o submeteu ao editor do jornal Troy Sentinel, de Nova Iorque, onde foi publicado no Natal do ano seguinte, em 1823 - longos 47 anos ANTES do Natal se tornar um feriado. Sem autor definido, o texto foi publicado posteriormente em diversos jornais e revistas chegando a constar do The New York Book of Poetry - Livro de Poesias de Nova Iorque, de 1837. Apenas em 1844 o próprio Moore assumiu a autoria.

Mesmo que alguns elementos do poema de Moore tenham sido pegos de outras fontes, ele ajudou a popularizar a ideia de que Santa Claus voa de casa em casa na véspera de Natal em um trenó puxado por oito renas voadoras, cujos nomes ele criou, e que entregava presentes para as crianças. O “An Account of a Visit from St. Nicholas”, criou imediatamente um ícone popular americano repercutido por quem viesse a tratar do assunto em seguida, seja em publicações, seja em publicidade.


Papai Noel Vermelho e Branco em 1866


1866-thomas-nast-1Em 1866, o cartunista político Thomas Nast (abaixo) fez um livro ilustrado em policromia (ao lado), a partir do conto de Moore e criou a primeira imagem moderna de Santa Claus, como conhecemos hoje. Chamava-se “Santa Claus and His Works” - Santa Claus e Seus Trabalhos e foi encartado na edição natalina do jornal semanal Harper's Weekly, a principal mídia americana desde a Guerra Civil.

Seus desenhos e mostravam um Santa Claus gorducho, alegre com uma grande barba branca e um saco cheio de presentes para as crianças. Nast também nos deu a roupa vermelha com “peles” brancas, a oficina do Polo Norte (não da Lapônia), os elfos, e a esposa: Mrs Claus.

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Mesmo depois disso, durante décadas em cartões de natal e no início do século XX em anúncios publicitários, havia outras imagens para Papai Noel, nos EUA e na Europa: magro, com roupas diferentes como mantos, roupas nas cores azul, branca e vermelha e marrom e muitos com roupa completamente

190x-santa-marrom

ao lado, impressão em policromia do final do século 19 com Papai Noel marrom, é um cartão de Natal com outros elementos contemporâneos e o Papai Noel morando em uma caverna, com uma rena deitadinha ali.

 

 

 

 

 

 

 

Nossa Opinião

1902-mapa

ao lado, impressão a 3 cores de 1902, anúncio de revista

Após muito pensar, temos uma opinião pessoal sobre os motivos da popularização da roupa vermelha de Papai Noel.

Observando os antigos anúncios das décadas de 1900-1920, percebemos que foi uma época da evolução e popularização dos processos de impressão de jornais e revistas.

Antes de se tornarem coloridos, o processo chamado de “três cores” ainda muito usado até hoje, era uma das coisas mais modernas que havia. Neste processo, temos na verdade 4 cores: o branco ou outra cor do papel; a tinta preta; e outras duas tintas de qualquer outra cor.

Combinando retículas de impressão, pode-se ter misturas entre as tintas e suavização delas com a cor do papel.

Adivinhe? A tinta mais usada era a vermelha, pelo motivo óbvio de chamar mais a atenção nos anúncios que o azul, amarelo ou verde.

1903-Colgate-ToothpasteLogo, para as propagandas de Natal, o Santa Claus teria a roupa branca, preta, cinza ou em algum tom de vermelho. Qual você escolheria? Vermelho é claro!

Dê uma olhada em nossa seção de Natal e você verá anúncios originais, anteriores a 1932 onde o Papai Noel está em vermelho e branco e não tem nada a ver com a Coca-Cola.

ao lado, impressão em policromia (65 mil cores) anúncio de revista da pasta de dentes Colgate de 1903

 

 

 

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ao lado, impressão a 2 cores de 1907, anúncio de revista

 

 

 

 

 

 

 

 

Natal - Caso de Polícia

Apenas em meados do século XIX os americanos começaram a comemorar o Natal. Os americanos reinventaram o Natal e o modificaram de um carnaval, uma bagunça de rua, para um dia centrado na família, na paz e na nostalgia. Mas o que, em 1850 atraiu a atenção dos americanos para o Natal?

O início do século XIX foi um período de conflito de classes e confusão na América. Nesta época o desemprego era alto e conflitos de gangues sempre ocorriam durante o Natal. Em 1828, o Conselho Municipal de Nova Iorque criou a primeira força policial, para responder aos conflitos de Natal. Isso catalisou certos membros das classes mais altas para começar a mudar a forma como o Natal era celebrado na América. Ele precisava ser tirado das ruas.

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ao lado, cartão de Natal de 1817 desenhado pela artista Katryn Elliot

Em 1819, o autor de best-sellers Washington Irving (o mesmo do jornal de 1809) escreveu "The Sketchbook of Geoffrey Crayon", uma série de histórias, entre elas sobre a celebração de Natal em uma casa Inglesa. Os contos tinham uma pessoa que convidava os transeuntes para sua casa no Natal.

Em contraste com as situações de ódio das ruas americanas, os personagens do livro confraternizavam sem problemas. Na cabeça de Irving, o Natal deveria ser pacífico. Os personagens de Irving se divertiam com os costumes antigos e até mesmo o inglês “Lorde da Má Conduta” estava presente.

O livro de Irving não foi baseado em nenhuma comemoração onde ele esteve presente e muitos historiadores concordam que ele tenha inventado a tradição quando afirmava, no livro, que aqueles eram os verdadeiros costumes da época.

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cartão de Natal de 1880 propaganda do Café Woolson, com os elementos bem reconhecíveis atualmente, mas apenas 4 renas.

 

Preenchendo Um Vazio Cultural

Em 1843, o escritor inglês Charles Dikens lançou a clássica história de Natal: “A Christmas Carol – A Ghost Story of Christmas”. (Conto de Uma Noite de Natal - com os 3 fantasmas etc).

dickens-front

A mensagem era a importância da boa vontade e caridade para toda a humanidade.

O conto atingiu em cheio a sociedade americana e inglesa e mostrou aos membros da Era Vitoriana, a importância e os benefícios de celebrar o Natal.

A família estava se tornando menos disciplinada e mais sensível às necessidades emocionais das crianças em meados do século XIX.

O Natal oferecia uma data onde se podia dar presentes e atenção às crianças sem parecer que as estavam mimando. Os americanos começaram a celebrar o Natal como um perfeito feriado familiar.

charles dikens

Os velhos costumes começaram a ser abandonados. As pessoas procuraram recentes imigrantes católicos para saber como a data deveria ser celebrada.

Pelos próximos 100 anos os americanos construíram a tradição de Natal por conta própria incluindo, roupas, objetos e outros costumes, como a decoração de árvores, enviar cartões e dar presentes.

A maioria das famílias logo comprou a ideia de que estava celebrando o Natal como havia sido por séculos. Os americanos reinventaram o Natal para preencher as necessidades culturais de SUA nação em crescimento. Nada tem a ver com Natal na Europa, na Europa Oriental ou na América Latina.


De São Nicolau a Papai Noel

Na busca das raízes históricas de Santa Claus, é preciso ir fundo no passado para descobrir que Santa Claus é uma combinação de diversas lendas e criaturas mitológicas.

A base do Santa Claus cristão é o bispo Nicholas de Smyrma (Izmir) onde, hoje é atualmente a Turquia.

Nicholas viveu no século 4 DC, quando o cristianismo estabelecia sua modernidade em Bizâncio (Turquia) e não em Roma, apesar de coexistirem Papas bizantinos. Ele era muito rico e generoso, sempre dando presentes para as crianças. Tinha o hábito de jogar presentes para as crianças pobres pelas janelas de suas casas. Isso é fato histórico relatado.

A Igreja Ortodoxa Bizantina elevou Nicholas ao status de “santo milagreiro”. Em sua honra, foi construída uma catedral na Rússia, hoje, a mais antiga do país. A Igreja Católica Romana honrou Nicholas por ele ter ajudado as crianças e os pobres, tornando-o santo das crianças e navegantes. Seu dia é o 6 de dezembro e não 25.


Cronologia de São Nicolau

São Nicolau nasceu em 280 dc, em Patara. Homem rico, se tornou sacerdote cristão ortodoxo e depois, bispo. Viajou por Bizâncio fazendo caridade. No ano 303 DC, o Imperador Romano, Diocleciano, ordenou que todos o tratassem como deus (a ele, Diocleciano), incluindo os cidadãos de Bizâncio.

Como os cristãos acreditavam num deus único, resistiram às ordens, inclusive Nicolau, que passou 5 anos preso. Em 313 DC, Diocleciano, foi deposto, e Constantino assumiu o Império Romano. Nicolau foi solto e voltou ao seu posto de Bispo de Mira, continuando seu trabalho até 6 de dezembro de 343 DC, quando faleceu, aos 63 anos.

Pelo ano 450 DC, várias igrejas tinham sido construídas, em sua honra, na Turquia e Grécia. No ano 800 DC, foi oficialmente reconhecido como Santo pela Igreja Ortodoxa. Em 1200 e tanto DC, o dia 6 de dezembro passou a ser o Dia de São Nicolau na França. Em algum ponto, lá pelos idos de 1400 DC, São Nicolau passou a ser a terceira figura mais reverenciada no cristianismo, perdendo apenas para Maria e Jesus.

Posteriormente, com a adoção do Father Christmas e a Reforma Protestante na Inglaterra, Nicolau foi perdendo sua posição de devoção cristã e aos poucos entrando num circuito paralelo mais voltado à caridade na sua data.

Com o uso mercantilista dado pelos oportunistas do marketing do início do século XX, passou de figura religiosa à figura comercial. Muitas vezes seu caráter religioso é relevado até por praticantes de outras religiões e de santo, caridoso, passou a ser um mero objeto capitalista sendo explorado, vendido e comercializado em milhares de formas e produtos diferentes, mas até hoje, conserva as pesadas roupas de inverno e cores vencedoras - vermelho e branco - mesmo nos tórridos natais tropicais.

25 de dezembro foi aproveitado comercialmente, para passar de um feriado religioso, de louvor e introspecção, para apenas uma data mercantilista, onde todos se veem compelidos, por uma tradição que julgam ser religiosa e milenar, a gastar seu décimo terceiro salário no mercado.

 

Como Christmas se tornou Natal?

Nas áreas Protestantes do centro e nordeste da Alemanha, St. Nicholas ficou conhecido como Weihnachtsmann, literalmente "Homem da Noite de Natal". Na Inglaterra como Father Christmas, a partir de 1500.

Quando fez seu caminho junto com os imigrantes holandeses para os EUA, foi referido como Sinter Klass.

Como Christmas (referente a Cristo) e Santa Claus (referente a São Nicolau) se tornaram Natal e Papai Noel?

Bem, Natal é fácil, pois em italiano, onde fica a sede da Igreja, a festa é chamada e il Natale o “aniversário (dia do nascimento)”. Em espanhol é Navidad.

Sinter Klass é uma corruptela de Sint Nikolaas (o holandês para São Nicolau). Foi “inglesado” para o nome próprio Santa Claus, corruptela, língua de rua, totalmente inventada. Em muitos momentos a corruptela é adulterada mais um pouco para Santa Clause.


Mas e o tal do Papai Noel?

Essa é mais difícil. Parte vem do francês, onde o Natal é chamado de Noel, que não vem do nascimento de Jesus, mas vem da frase “les bonnes nouelles”, “as boas novas”, tradicional do Novo Testamento.

E o “Papai” vem da tradição inglesa de Father Christmas “Papai Christmas” que em francês virou Pêre Noel. Como nas primeiras décadas do século XX o Rio de Janeiro tinha forte influência cultural francesa, o Natal chegou aqui como costume francês com Papai Noel e não como costume americano com Santa Claus.

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este é um Pére Noel de 1909, a visão francesa do Natal, muito diferente da americana, e como o Natal, como festa tradicional e comercial chegou ao Brasil.

 

Péra aí! Ainda tem mais um!

Não é só o Santa Claus americano do século XIX que foi inspirado em São Nicolau para aparecer na época de Natal. Outras figuras similares são populares em outras partes do mundo.

Christkind com sua corruptela para o nome próprio Kris Kringle entrega presentes para as crianças na Suíça e Alemanha. Christkind significa “Christ Child” em inglês ou “Cristo Criança” e é uma figura tipo anjo que acompanha São Nicolau em sua missões de Natal. Por favor esqueça os filmes de Hollywood que dão o nome próprio de “Kris Kringle” ou “Mister Kringle”, ao Santa Claus quando ele se mistura com as pessoas normais!!!

Num filme lançado em 2002, “Meu Papai é Noel”, com Tim Allen, temos a maior pisada de bola de tradução da história do convívio do cinema americano com os péssimos tradutores para o português. Em um determinado momento, Santa Clause (como é chamado no filme) está ao lado de um de seus duendes, olhando de binóculo a chegada da Mamãe Noel. O duende fala: “Hei, it's miss Santa Clause”, o que significa apenas: “Ei, é a Mamãe Noel”, mas o tradutor sapecou: “Olhe! É a cláusula de Mamãe Noel”... Em inglês “clause” é realmente “cláusula”.

Na Escandinávia, um elfo mágico chamado Jultomten, entrega presentes num trenó puxado por bodes...

A lenda inglesa também fala que Father Christmas “Papai Christmas” visita cada casa na véspera do Natal.

Pêre Noel é o responsável pelos presentes na França.

Na lendas russas, existe uma velha, chamada Babouschka (significa vovó) que deu informações erradas para alguns sábios, que não conseguiram chegar a Belém e encontrar Jesus, quando ele nasceu. Depois, ela sentiu-se culpada mas não conseguiu achar os homens ou desfazer o engano. Neste dia, 5 de janeiro, ela visita as crianças russas deixando presentes perto de suas camas, na esperança de que alguma delas seja o bebê Jesus e que ela será perdoada.

Na Itália há outra lenda sobre uma mulher chamada La Befana (seria a epifânia), que voa numa vassoura e joga os presentes pelas chaminés para as crianças boas. Um bruxa do bem.


A colcha-de-retalhos cultural que formou o Natal

O Natal como conhecemos hoje é uma invenção da era Vitoriana, ao redor 1860, tendo uns 150 anos de “tradição milenar”. É o feriado mais celebrado no mundo e o resultado da fusão de diferentes tradições de diferentes regiões, de culturas religiosas e seculares. Podemos encontrar fortíssima presença do Natal como elemento comercial e de tradição cultural mesmo em países não católicos como Taiwan, Coreia do Sul, sem religião como a China e muçulmanos orientais, como Filipinas, Malásia, Singapura, onde o Papai Noel convive com o Islã sunita oriental de Maomé sem nenhuma relação com festejos à Jesus.


Suécia - casas iluminadas e o Yule

A maior parte dos países da Escandinávia honra Santa Lúcia (St. Lucy) a cada ano no dia 13 de dezembro. A celebração do dia de Santa Lúcia começou na Suécia, mas se espalhou para a Dinamarca e Finlândia em meados do século XIX. Nestes países esta data marca o início do Natal, também referido como “pequeno Yule”. No Meio-Oeste americano, de colonização escandinava o Natal ainda pode ser encontrado como Yule, inclusive em publicidade.

Tradicionalmente, a filha mais velha de cada família, acorda mais cedo e vai acordar os outros membros da família, com um longo vestido branco com uma faixa vermelha e com um coroa com 9 velas acesas.

A iluminação de casas e ruas no Natal também vem dos países de inverno rigoroso para facilitar a visualização do caminhos durante os dias mais escuros e com menos visibilidade do ano, devido às nevascas, sendo uma de nossas asneiras culturais de verão no Brasil.


A ciência e o Papai Noel - Fim do Mito

Em 1925, quando, cientificamente, se definiu que as renas não podiam viver no Polo Norte (desde 1823), jornais americanos, revelaram que Santa Claus vivia, na realidade, na Lapônia, parte da Finlândia, onde não faltam renas.

Em 1927, num programa de rádio estatal finlandês, o locutor revelou que Santa Claus vivia na aldeia de Korvatunturi.

1931-Coca-Ladies-HomeEm 1931 a Coca-Cola usou Santa Claus (ao lado) em suas propagandas e o popularizou ainda mais nos desenhos do ilustrador Haddom Sundblom que foram usados até 1964 e recentemente começaram a ser reeditados por falta de coisa melhor.

A um mito de que os desenhos de Sundblom são auto-retratos: seria cara dele mesmo. Isso é baseado em fotos de Sundblom já idoso, mas ele era bem novo e magro quando começou a pintar as artes. Sundblom, é na verdade o Sprite (Espírito) que surgiu na propaganda da Coca-Cola em 1942. O conceito de Haddon e da Coca-Cola foi mostrar um Papai Noel "verdadeiro", o tal duende, e não um homem vestido de Papai Noel. Todos os seus trabalhos foram pintados a óleo, de 1931 a 1964. Eram telas em tamanho muito grande e hoje estão bem arquivadas. Os originais já foram expostos até no Louvre em Paris.

1930-SANTA-CocaO modelo para as primeiras pinturas foi seu amigo Lou Prentiss, um vendedor aposentado. As crianças nas propagandas são baseadas em vizinhos do artista. Seu ultimo "santa" foi para a capa Playboy em 1972, muito diferente de seus outros trabalhos. O primeiro anúncio com Santa Claus específico da Coca-Cola é de 1930 (ao lado), e não foi pintado por Sunblom. Mas a Coca-Cola já possuía anúncios específicos de Natal desde 1904. Você pode ver mais de 130 deles neste link http://jipemania.com/coke/natal/sococa/index.htm

Outros artistas e outros produtos usavam Santa Claus nas suas propagandas muito antes da Coca-Cola. De 1931 a 1964 diversas empresas usaram a imagem de Santa Claus e não havia nenhum monopólio da Coca-Cola. Outros artistas fizeram desenhos até mais interessantes que os de Sundblom (abaixo) - (vários deles estão em nosso site http://jipemania.com/coke)

cokelore_santa_sundblomPodemos achar horrível a ideia de um Papai Noel fumante, mas e no conto original de Moore, ele fuma cachimbo. Muitos anúncios de Natal de cigarros trouxeram um Santa fumante. Só que também é um elfo pequeno, com um trenó em miniatura e mini-renas. Seu tamanho foi a solução de Moore para que ele entrasse pela chaminé.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Coca-Cola teve a sensibilidade de tirar a Santa Claus e substituí-lo pelos soldados em combate e os que retornavam para casa. Outras marcas não: o Santa continuou a divulgar produtos no Natal, mesmo com os homens americanos sendo trucidados mundo a fora.

1919-Murad-cigarrets-certo

Nas imagens do site, você poderá ver coisas horrorosas como Santa Claus fumando, anunciando até mesmo cigarros Camel e Luky Strike. Que presentão de Natal, hein? Câncer de pulmão, mas com sabor, baixos teores etc e tal...

ao lado, policromia de 1919, anúncio de revista

 

 

 

 

Playboy_magazine_december_1972_cover
último “Santa Claus” de Hadon Sundlom, 4 anos ante de falecer aos 77 anos)

Rudolf a nona rena

mayA rena de nariz vermelho é a mais famosa de todas as renas e nasceu uns 100 anos depois das outras oito renas voadoras. Foi criação de Robert L. May, que trabalhava na loja de departamentos Ward. Os nomes corretos das outras você pode ver no texto original de 1822, na próxima página.

Em 1939 May escreveu uma história com o tema de Natal para atrair mais clientes para a loja. Ficando dentro do antigo tema de Moore, ele escreveu “Twas the Night Before Christmas”, onde contava a história de Rudolf, uma jovem rena que tinha sido desprezada pelas outras devido ao seu grande nariz vermelho. Foi 117 anos depois do poema de Moore.

Rudolph,_The_Red-Nosed_Reindeer_Marion_BooksMas quando houve nevoeiro na noite de Natal e Santa Claus não conseguia ir a lugar nenhum, Rudolf liderou as outras 8 renas, iluminando o caminho com seu nariz vermelho e luminoso.

Em 1939, a Montgomery Ward vendeu 2,5 milhões de cópias dessa história. Quando foi reeditado em 1946, vendeu outros 3,5 milhões de exemplares.

Em 1949, Jonhy Marks escreveu uma música sobre a história que foi gravada por Gene Autry e vendeu, imediatamente 2 milhões de discos. Desde então, a história já foi traduzida para 25 línguas e filmada para a TV em 1964, é passada quase todo o ano até hoje.



O panetone

Como tudo sobre o Natal há várias versões que apontam para o mesmo lugar na Itália. Na primeira delas, que nos parece a errada, Ughetto Degli Atellani, um falcoeiro milanês de origem nobre, se apaixonou por Adalgisa, filha de um modesto confeiteiro chamado Toni. Para conquistar o coração da amada, o cavalheiro fingiu ser confeiteiro e inventou um pão delicioso, acrescentando à farinha e à levedura, manteiga, ovos, uvas passas e cascas de laranja e limão confeitadas. O duque de Milão, Ludovico Il Moro Sforza (1452-1508) autorizou o casamento, que foi celebrado na presença de Leonardo da Vinci e estimulou a fabricação do novo pão, o qual todos chamavam de "pane di Toni".

Na segunda versão o cozinheiro do Duque de Sforza teria tido problemas com a sobremesa de Natal e serviu um pão docê com recheio de frutas preparado por um de seus ajudantes de cozinha chamado Toni. O cozinheiro teria batizado o pão com o nome do ajudante.

A terceira versão parece a mais correta e vem da mesma época, quando as famílias italianas preparavam um pão especial para o Natal, um pão de luxo que no dialeto milanês se chamava “pane de ton”. Mas o que conhecemos hoje surgiu em 1919, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, pelas mãos do confeiteiro, também milanês, Angelo Motta, até hoje uma das marcas mais conhecidas na Itália.

Ele alterou a receita da massa e deu a forma tradicional de cúpula. Para isso a massa deve ficar em repouso durante 20 hora antes de ir ao forno e ganhar sua consistência macia e aerada.

Bem esse é o fim da história do Natal, pelo menos por enquanto...


A árvore de Natal

1846 rainha vitoriarAo longo dos tempos, árvores e plantas que ficavam verdes durante todo o ano tinham um significado especial nas mais diversas culturas. Se usava estas árvores nas mais diversas comemorações com a intenção de afastar maus-espíritos, bruxas, fantasmas e doenças. Os vickings que deram origem aos escandinavos colonizadores do Meio-Oeste americano achavam que tais árvores era uma planta especial do deus Sol.

Sabe-se que por sua possibilidade estética e disponibilidade, os pinheiros eram preferidos como árvores sempre-verdes. No século 16, cristãos começaram a decorar seus pinheiros. Mas não era apenas uma árvore. Também eram feitas pirâmides de pinheiros nas praças. Acredita-se que Martinho Lutero tenha sido o primeiro a colocar velas nos pinheiros.

No século 19 os americanos não usavam árvores de Natal. A primeira colocação pública foi numa loja de imigrantes alemães nos anos 1830, na Pensilvânia. Nas casas dos imigrantes alemães era uma tradição mantida. O puritanismo retornado aos EUA como vimos mais acima, passou a considerar as árvores como símbolos pagãos e as baniu no final dos anos 1840.

Em 1846 na Inglaterra, a Rainha Victória e seu marido alemão, o Principe Albert, posaram com seus filhos e uma árvore de Natal para uma edição de jornal Illustrated London News (ao lado). A foto circulou o mundo e lançou uma moda de imitar a realeza. Note que ela tem a configuração básica que conhecemos até os dias de hoje e é uma tradição bem anterior à do Papai Noel.

No início do século XX as pessoas faziam suas próprias decorações das árvores. Um dos elementos muito utilizados era pipoca pintada nas mais diversas cores. Com o advento da eletricidade residencial, logo chegaram as iluminações de Natal.


Importância no Brasil

Não vamos abordar ainda em profundidade o Natal no Brasil. O Brasil é a maior nação católica. O Natal é mais importante aqui. Vamos deixar só um gostinho. Tenha a certeza de que o Natal estava nos jornais e na casa das pessoas, completo. Veja este anúncio da Casa Barbosa Freitas, mas percebe que ele é para o Natal de 1900 !!! No dia 23 de dezembro na Gazeta de Notícias. Dois dias apenas para queimar o estoque!

gazeta de noticias 23-dez-1900 natal

The Night Before Christmas (original–português) – link
The Night Before Christmas (original-inglês) – link

Se você quiser usar este texto num trabalho de escola ou de faculdade, não precisa pedir autorização. Apenas cite corretamente o autor e informe pelo email roitberg@gmail.com para que eu tenha uma ideia de quantas pessoas usaram esse material.

Um leitor me chamou a atenção sobre o inglês difícil do poema do século XIX e é mesmo. Várias palavras sequer constam dos dicionários atuais e possuem outro sentido. Para ler o poema é preciso de um dicionário, portanto, há uma tradução livre na próxima página. A primeira palavra “twas” é uma contração de “that was” - “Era a noite antes do Natal”

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sinagoga e Favela em 1963

O Rio Judeu que o Povo Esqueceu (parte)

A ARI – Associação Religiosa Israelita (rua General Severiano 170)  está concluindo seu ano da comemoração de 70 anos de fundação. Na foto abaixo, do arquivo da Associated Press, tirada em 23-out-1963, temo a favela que ainda estava até se estruturando e iria ficar muitos ano no Morro do Pasmado, o Muro do que viria a ser o estacionamento, um casarão que parece não ter ficado na memória de ninguém a ARI recém-construída, um marco arquitetônico para a época. Na legenda a AP fala sobre o contrastes entre o novo e velho, entre a pobreza e a riqueza da "igreja com arquitetura modernista..." São raras as fotos que enquadram favela e sinagoga na mesma imagem. Com certeza a maioria dos frequentadores nem se lembra da existência desta favela de pequeno médio porte que avançava pelos quatro lados do Pasmado e ia até a Rua da Passagem

1963-out-23-final-de-construção-da-ARI,-ainda-com-casarão-ao-lado,-estacionamento-inexistente-e-favela-no-morro

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O CONTO DO FIM DO MUNDO

Sua fé é superior a dos outros? Não conheço ninguém que afirme ter uma fé pior que de seu vizinho. Ninguém que afirme cumprir os preceitos da religião errada. Mas os mitos de uma fé valem para as outras fés? Não só valem, como se sobrepõe. A história da civilização (ou incivilização) nos mostra a luta incessante, do início até este momento, das fés tentando se sobrepor umas as outras, como a verdadeira e definitiva.

Mas cada fé, exclui, por dogma (aquilo que não pode ser contestado), os mitos das outras fés. Há um dogma dentro do judaísmo que é verdadeiro para os judeus religiosos e estranho para todos os outros: caso uma pessoa se converta do judaísmo para outra religião, tal conversão é inválida, na visão judaica ortodoxa, porque o judaísmo não reconhece a existência das conversões produzidas por outras fés. Só para constar. Por este preceito, as conversões feitas pela Inquisição, foram válidas para a Igreja Católica e inválidas para o judaísmo ortodoxo. Tanto uns quanto outros, de fora, afirmavam que você era cristão ou era judeu, sem que você tivesse realmente uma possibilidade de interferir de fato em sua crença: não é você que se define, os outros definem você. É claro que nada obriga você a acreditar nestas definições também, até que a chumbo derretido desça por sua garganta ou a bala estraçalhe sua cabeça...Esse é apenas um exemplo próximo.

Sendo assim, pobres dos maias que não conseguiram impor sua fé altamente tecnológica a ninguém nos dias de hoje. Eles tinham fé ou no final dos tempos, ou no final do tamanho da pedra onde o calendário foi inscrito. Mas as fés de todos as outras religiões monoteístas e politeístas nas quais a humanidade se divide hoje, excluem a veracidade das crenças maias, portanto se para os maias tudo se acabaria, para todos os outros isso é uma asneira.

Partir para uma abordagem lógica e imaginar que a pedra tem um limite físico do que pode conter, como nossas folhinhas anuais, e que jogaram a confecção da continuação do calendário para alguns milhares de anos a frente, é pedir demais. Falamos de fé e não de verdade ou de lógica.

Será que algum arqueólogo do futuro vai pegar nosso calendário de 2012, o único que pode ter encontrado e achar que nossa civilização tinha traços de semelhança com os maias, já que para os maias o calendário ia até o dia 21 de dezembro e para o resto da humanidade ia até o dia 31?

A saber: os maias foram a potência hegemônica no que viria a ser a América Central. Acredita-se que começaram seu estado 1.000 anos AC, chegando ao auge no ano 900 DC (curiosamente aquele período de 2000 anos pregados por messiânicos monoteístas). Até a chegada dos espanhóis, ainda conseguiram se desenvolver por mais 600 anos. Sua última cidade-estado foi tomada e exterminada pelos espanhóis apenas no ano 1697. Tudo em nome da ganância pelo ouro, da fé cristã e em nome de Deus, em nome de Jesus...  É normal não ter perspectiva histórica. É preciso entender que a derrota final dos maias aconteceu quase 200 anos depois da última cruzada contra o Marrocos e já com o Império Turco Otomano controlando o Oriente Médio. A Inquisição estava ativa no Brasil. Os maias não desapareceram. Para sobreviver foram se assimilando e se convertendo ao cristianismo. Era esta opção da Igreja Papal: converta-se ou morra, nada diferente da prática dos impérios árabes islâmicos contemporâneos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Inauguração do Memorial do Holocausto do Caju - 1975

O Rio Judeu que o Povo Esqueceu (parte da série)

(publicado em Menorah - Setembro/1975) O Conselho de Administração do Cemitério Comunal Israelita do Rio de Janeiro inaugurou, no Caju, com um ato solene, um monumento em memória dos judeus mortos na Segunda Guerra Mundial.

O monumento composto de seis pedras naturais tiradas de um rio de Teresópolis cada uma representando um milhão de judeus mortos, e encimada por uma Menorah, foi inaugurado com o fim de perpetuar a lembrança dos seis milhões assassinados pelos nazistas nos campos de concentração e câmaras de gás.

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À inauguração compareceram autoridades e elementos representativos da coletividade judaica do Rio de Janeiro. Falaram durante o ato os Srs. Yontov Nigri, presidente do Conselho de Administração do Cemitério Comunal Israelita, Eliezer Burlá (na foto abaixo ao microfone), presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Sr. Matty Cashe, representando o Consulado de Israel e Gran Rabino Lemle, da Ari.

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Da esq: Rabino Lemle, chazan Leon Chiprut, Eliezer Burlá, desconhecido, desconhecido(qualquer correção, favor indicar)

A seguir, uma oração conhecida como EL MALE RAHAMIM foi cantada pelo chazan Leon Chiprut em memória dos mortos.

O chazan Friedlander, da Ari, cantou peças religiosas e após, um KADISH foi pronunciado por todos os presentes.

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Provável discurso de Matty Cashe, representando o Consulado de Israel (à confirmar)

Kurt Krakauer foi o autor do projeto e a execução foi do escultor Heitor Usai.

"AOS MORTOS EM SINAL DE HOMENAGEM E AOS SOBREVIVENTES, EM SINAL DE ADVERTÊNCIA” é a inscrição que se lê na base do monumento.

O Sr. Yontov Nigri, presidente do Conselho Administrativo do Cemitério em sua fala, disse que a idéia da construção do monumento representa a homenagem aos judeus mortos nos campos de extermínio e também àqueles que não tiveram sepultura.

1975-ago-inaug-monumento-holocuasto-caju-3
Da esq primeira fila: Rabino Lemle, chazan Fiedlander, Yontov Nigri ao microfone

Também presentes ao ato os Srs. Dr.. Alberto Simon Salama, Dr. Manoel Ingberg, Elias Balassiano, Samuel Fridman, membros do Conselho e o Sr. Mauricio Meihl, administrador.

MEMORIAL-DO-HOLOCAUSTO-CEMITÉRIO-DO-CAJU-RIO-DE-JANEIRO-AGOSTO-2012
Foto em agosto de 2012, por José Roitberg

© 1975 Editora Menorah – todos os direitos reservados – cedido para publicação neste blog

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Brasil na Primeira Guerra Mundial WWI

Participação brasileira na Primeira Guerra Mundial (rev 01/nov/2014)


Navios mercantes torpedeados na costa brasileira. Militares brasileiros entrando em combate. Colônia alemã atacada. Espiões alemães presos no Rio de Janeiro. Comboios navais e militares estrangeiros no Brasil. Você está pensando na Segunda Guerra Mundial? Errou. Isso aconteceu na Primeira Guerra Mundial, a guerra que o povo brasileiro esqueceu.

Como também, a maioria esquece ou sequer foi ensinada sobre isso em nossas escolas, que o Brasil vivia uma guerra civil de quatro anos iniciada em outubro de 1912 e que iria terminar apenas em agosto de 1916. Foi a Guerra do Contestado sobre a linha de fronteira entre o Paraná e Santa Catarina. Os números aceitos para o Contestado são 10.000 soldados rebeldes, dos quais houve entre 5.000 e 8.000 mortos, feridos e desaparecidos; e 7.000 soldados do exército brasileiro acompanhados por 1.000 soldados do Paraná e 1.000 mercenários civis, entre os quais houve de 800 a 1.000 mortos, feridos e desertores.

A Primeira Guerra Mundial começou em 1914. As potências centrais, Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano partiram para cima da França e da Bélgica. A carnificina de soldados e o impasse foram a tônica do conflito. Para remover a Rússia do combate a Alemanha financia e envia para lá várias lideranças revolucionárias russas que viviam na Alemanha. A Rússia saiu do combate, desenvolveu sua própria guerra interna, a Revolução Russa (Maximalista, depois conhecida como Comunista), deixando de lado o massacre europeu. O último Czar foi deposto em 23 de fevereiro de 1917. E em 6 de abril os Estados Unidos saem da neutralidade e declaram guerra à Alemanha. Uma participação pouco citada é a de tropas portuguesas nos campos de batalha franceses, sob comando britânico: 7.000 baixas lusitanas semi-esquecidas na história. Também quase nada se diz da marinha japonesa patrulhando o Mar Vermelho, Mediterrâneo e parte do Atlântico em navio britânicos que já não possuíam tripulações suficientes.

Em setembro de 1916, o jornal português "O Século" noticiava o alistamento no exército de Portugal do primeiro oficial judeu, Judah Bento Ruah, sobrinho de Joshua Benoliel, fotógrafo tanto de "O Século" como de "Illustração Portugueza." O jornal cita que havia apenas mais um judeu oficial da marinha "dos mais distintos e illustrados", mas não cita seu nome. Esse alistamento foi para ir ao campo de batalha na França na Primeira Guerra Mundial. Portugal levou 30.000 homens aos campos à guerra. Judah Bento Ruah, acabou por ter uma vida fascinante e produtiva. Seguiu o trabalho em fotografia de seu tio e em 13/jan/1917 é o fotógrafo das crianças do "Segredo de Fátima", fotos das mais importantes para os católicos desde então. Depois, se formou em engenharia, trabalhou na África portuguesa, escreveu "Mestiços: Mulatos de Moçambique" nos anos trinta e também escreveu sobre relações étnicas em Ruanda. Faleceu em 1958.

JUDAH BENTO RUAH
Judah Bento Ruah (meio careca com terno e colete) está ao centro à direita do baixinho de óculos foto do arquivo português


O primeiro navio brasileiro a ser afundado na WWI foi o cargueiro Rio Branco operado por noruegueses sob bandeira britânica. Navegava em águas restritas e de acordo com a visão de “regras de guerra” da época, o ataque de 3 de maio de 1916 foi considerado legítimo. Os períodos históricos muitas vezes se confundem. A neutralidade brasileira significava comerciar com bloco germânico e com o aliado. O café brasileiro era consumido pelos vários países em combate: representava 53% na pauta de exportações. A borracha participava com 26%. No início de 1917 a Inglaterra determinou um bloqueio às exportações de café alegando o espaço nos navios ser mais necessário para outros insumos exigidos pela máquina de guerra. Numa rápida reação a Alemanha autorizou seus submarinos a afundar qualquer navio numa zona restrita de bloqueio. Navios corsários alemães, naus mercantes disfarçadas e armadas com canhões, também caçavam navios cargueiros no litoral brasileiro. Alguns corsários foram abandonados em nossas costas e bocas de rios.

No início do século 20, o Brasil era tão alinhado à Alemanha que o projeto e construção da linha de defesa da Baía da Guanabara era de engenheiros alemães com canhões, cúpulas blindadas, usinas de força e até blocos de concreto pré-fabricados na Alemanha. A linha dos grandes fortes, hoje monumentos e museus, composta pelo Forte de Copacabana iniciado em janeiro de 1908; Ilha da Laje, no meio da baía, completada em 1906 e Imbuí, em Niterói, inaugurado em 1901, no fim das contas foram um desperdício, pois jamais qualquer país do século 19 para cá teve planos de nos invadir por este ponto. A Marinha Mercante brasileira, desprotegida, é que passou a ser atacada constantemente.

O Brasil permaneceu neutro até o navio Paraná, um dos maiores cargueiros brasileiros, deslocando 4.466 toneladas e carregado de café ser torpedeado por um submarino alemão na região do cabo Barfleur, na França, no dia 5 de abril de 1917: três brasileiros foram mortos. O Paraná tinha bandeira brasileira e a palavra “Brasil”, enorme, pintada no casco. O submarino ainda emergiu e disparou cinco tiros de canhão contra os sobreviventes. A reação popular ocorreu nas áreas de maior concentração de imigrantes alemães. Milhares de pessoas saíram às ruas em Porto Alegre. As manifestações ordeiras rapidamente degeneraram em ataques contra a colônia alemã. A Sociedade Germânia, o Hotel Schmidt, o clube Turnebund e o jornal Deutsche Zeitung foram depredados e queimados. Esse momento é tão significante e esquecido pois os EUA declaram guerra à Alemanha no dia seguinte.

Os jornais em alemão foram proibidos no Brasil. Em diversas capitais houve manifestações menores até o Brasil abandonar a neutralidade. Descendente de alemães e considerado germanófilo, o então Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Lauro Müller convocou uma reunião com embaixadores e representantes de outros países sul-americanos, em Petrópolis, obtendo apoio para uma tomada de posição contra a Alemanha. Poucos dias depois, a polícia descobre uma estação de rádio clandestina alemã, operando em Niterói, cuja missão era relatar o movimento na Baía da Guanabara: a saída de comboios para a Europa e a presença de navios de guerra de outros países, tornando-os alvos para submarinos e corsários.

De 1917 até o final da guerra, 22 comboios de navios mercantes, escoltados por embarcações militares saíram do Rio de Janeiro para a França. A dificuldade em obter navios de escolta levou os britânicos a transformar velhos encouraçados em escoltas de comboios, a aceitar um grupo de destróieres japoneses que operou no Mediterrâneo e ceder contratorpedeiros britânicos para tripulações nipônicas. A história destes 22 comboios brasileiros é varrida como se não tivessem existido e isso não fizesse parte das operações de guerra.

Com forte clamor popular, o governo brasileiro rompe relações diplomáticas com os países do bloco germânico seis dias depois do ataque ao Paraná. Como primeira medida, nossos portos são abertos para a navegação aliada. Rapidamente quatro encouraçados americanos são deslocados para as costas brasileiras. No mesmo decreto o Brasil confisca 42 navios alemães que estavam em nossos portos. Grande parte deles foi sabotado e suas tripulações se tornaram prisioneiras de guerra no Brasil. O contratorpedeiro Maranhão encontrou em Combari, perto de Santos, São Paulo, instalações que poderiam ser uma base para submarinos alemães. Em 20 de maio, o Brasil perde mais um navio mercante: o Tijuca, torpedeado perto da costa francesa. No dia 27 de julho o navio Lapa foi atacado com três tiros de canhão disparados por um U-Boat (submarino) alemão. Um dos navios confiscados, rebatizado de Macau foi interceptado por um U-Boat a 200 milhas da costa espanhola em 23 de outubro. Seu comandante e o dispenseiro foram aprisionados e nunca mais vistos. Em seguida o navio foi torpedeado e afundado.

Rui Barbosa, o mais importante político da oposição discursou afirmando que o abandono da neutralidade não era suficiente e questionou se a vida dos brasileiros era menos importante que a vida dos americanos, pois já tinham declarado guerra à Alemanha. A pressão do público contra a Alemanha aumenta e o presidente Wenceslau Brás declara guerra à aliança germânica em 26 de outubro de 1917.

DNOG pres Wenceslau Bras assina delcaracao de guerra
1917 - Pres Wenceslau Bras assina a declaração de guerra à Alemanha – foto cedida para esta matéria pelo SDM – Serviço de Documentação da Marinha do Brasil

Ao longo do conflito alguns imigrantes franceses voltaram do Brasil para se alistar nas forças francesas e participaram de combates. Seu número não é conhecido. Brasileiros natos também lutaram no exército francês e sequer seus primeiros nomes têm registro. No cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, há um mausoléu para 98 destes homens, cinco deles brasileiros natos mortos em combate e vários deles judeus. Memorial da AFAC.
 
 

Já existia no Brasil a força aérea da Marinha com aviões de patrulha e reconhecimento. Oito pilotos, sete da Marinha e um do exército foram para a Inglaterra e receberam treinamento de combates, passando a ser nossos primeiros, e também esquecidos, pilotos de caça. O tenente Possolo morreu em uma colisão com um avião pilotado por um inglês, sendo nosso primeiro piloto a perder a vida. As coisas se cruzam quando nosso Grande Templo Israelita, recebe sua pedra fundamental, lançada pelo presidente da república, exatamente na esquina da rua Tenente Possolo. Completado o treinamento, nossos pilotos integraram uma esquadrilha com americanos e ingleses e participaram do conflito até seu final. Brasileiros também participaram com um hospital de campanha com 92 médicos, dez deles militares, mas todos incorporados ao exército com patentes de oficiais. Havia ainda farmacêuticos, pessoal de apoio e soldados brasileiros para a segurança das áreas hospitalares. Esse contingente foi importante quando o surto de Gripe Espanhola atingiu a população civil francesa

Alguns dos pilotos de combate da aviação naval brasileira que participaram da Primeira Guerra Mundial em foto oficial durante treinamento na Inglaterra - foto cedida para esta matéria pelo SDM – Serviço de Documentação da Marinha do Brasil

Da esquerda da foto para a direita: Lauro de Araujo, Heitor Varady, Eugenio da Silva Possolo (o tenente Possolo (morto em ação) que dá nome à rua onde funcionava do Diário dos Sports e o Grande Templo Israelita do RJ, Virginius Brito de Lamares, Olavo de Araujo, Manoel Augusto Pereira de Vasconcelos e Fábio de Sá Earp.


Antes da criação da D.N.O.G. (Divisão Naval em Operações de Guerra), oficiais brasileiros foram enviados em missões de combate nas frotas inglesas. Um deles chegou a participar da emblemática Batalha de Jutlândia. Em terra, oficiais do exército entraram em combate. O tenente José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, comandou pelotões de cavalaria francesa de três regimentos diferentes. Um deles uma pequena unidade do 504o Regimento de Dragões, equipados com os primeiros tanques de guerra franceses: os Renaults FT-17. Ao voltar ao Brasil com o relato da nova maravilha dos campos de batalha, o país comprou um lote de 12 unidades de tanques FT-17 e o Marechal Albuquerque é conhecido como o pai das forças blindadas brasileiras.

DNOG almirante FrontinA D.N.O.G. foi criada dia 30 de janeiro de 1918 comandada pelo contra-almirante Pedro Max Fernando Frontin (foto ao lado) como parte das forças britânicas. Seus navios eram os cruzadores Rio Grande do Sul e Bahia, os contratorpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina, o tender Belmonte e o rebocador Laurindo Pitta. Este, ainda em atividade fazendo agradáveis passeios turísticos pela Baía da Guanabara. Curiosamente os encouraçados muito bem armados e submarinos modernos que o Brasil operava, não fazem parte da D.N.O.G.

Praticamente todos os navios eram de última geração, adquiridos em 1910, mas com tripulações pouco treinadas e problemas por falta de testes e uso. A D.N.O.G. recebeu a missão de patrulhar o Atlântico buscando submarinos alemães na região entre Dacar na costa africana, o Arquipélago de São Vicente e o estreito de Gibraltar, única saída do Mediterrâneo para o Atlântico. Na Primeira Guerra, a Itália e o Japão eram países aliados, mas a Turquia e todo o seu império no Oriente Médio fazia parte do bloco germânico. O efetivo era de 1.502 homens: 75 oficiais de armada, 4 médicos, 50 oficiais de máquinas, 5 oficiais comissários (intendentes), um farmacêutico, um dentista, um capelão, um sub-maquinista, 41 suboficiais, 43 mecânicos, 4 auxiliares de fiel, 702 marinheiros, 481 foguistas, 89 taifeiros, um padeiro e três barbeiros.

1918 - Pres Wenceslau Bras a Almt Frontin em foto oficial antes do embarque. Atrás vemos os assistentes do almirante, capitães-tenentes Jorge Dodsworth (esq da foto) e Manuel Bricio Guillon - foto cedida para esta matéria pelo SDM – Serviço de Documentação da Marinha do Brasil

Naquela época o oficialato era composto por brancos enquanto os marujos, sargentos e suboficiais eram quase todos negros. No dia primeiro de agosto de 1918 a D.N.O.G. inicia suas atividades, saindo do porto do Rio. Nas palavras do Almirante Frontin: “Cada homem, em cada navio, sabia exatamente o que fazer nas emergências. A guerra, na verdade, iria começar.” Na noite de 25 de agosto, patrulhando a região entre Dacar e Freetowm foi atacada por um submarino alemão. Não houve danos ou baixas.

1918 – Cruzador Bahia em ação na DNOG. Note que é um navio de guerra que sequer possui torres de canhões voltadas para a frente ou para trás, podendo atirar apenas com canhões laterais de calibre modesto, nave totalmente anacrônica para o conflito - foto cedida para esta matéria pelo SDM – Serviço de Documentação da Marinha do Brasil

Mas 1918 foi o início da terrível Gripe Espanhola, que ceifou a vida de 20 a 40 milhões de pessoas. Os dados não são precisos devido a falta de estatística oficial em países como China e no sub-continente indiano. Os jornais brasileiros tinham notas de primeira página com o número de mortos diários vítimas da "Peste." Uma das notícias é curiosa: "Peste: ninguém morreu ontem em Niceteroy." Dá para imaginar o terror da epidemia. A frota brasileira não escapou e precisou ficar imobilizada por dois meses no porto de Dakar, onde 156 marinheiros faleceram e mais de 300 ficaram incapacitados temporariamente.

Alguns historiadores citam essas baixas como uma vergonha, como algo que pudesse ser evitado. Mas são baixas de guerra. Só como comparação, 80% das mortes da frota americana foram devidas à gripe. Nossos marujos, incluindo sete oficiais, um deles médico e quatro suboficiais foram sepultados em um cemitério específico em Dakar. Em 1928 seus restos mortais foram trazidos para solo brasileiro e estão no mausoléu aos heróis da D.N.O.G. no cemitério São João Batista, logo atrás do mausoléu da família Aranha, onde repousa o inesquecível chanceler Oswaldo Aranha. A D.N.O.G. conseguiu se juntar à esquadra britânica apenas 48 horas antes da assinatura do armistício que pôs fim à “guerra para acabar com todas as guerras”. Voltou ao Brasil após uma visita de boa vontade à Inglaterra.

Cemitério brasileiro da DNOG em Dakar - foto cedida para esta matéria pelo SDM – Serviço de Documentação da Marinha do Brasil – sem data, tirada provavelmente pela equipe que providenciou a exumação e traslado em 1928. Os restos mortais do brasileiros mortos me serviço na Marinha, na WWI estão no cemitério de São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro.


Compensações ao Brasil no Tratado de Versalhes


Essa pequena participação brasileira rendeu frutos pouco conhecidos. Uma grande delegação de diplomatas brasileiros participou da Conferência de Paz de Paris que deu origem ao Tratado de Versalhes, onde a Alemanha foi obrigada a pagar pesadas indenizações por ter iniciado a guerra.

Nosso representante na mesa de Versalhes foi Epitácio Pessoa. Depois seria presidente do Brasil de 1919 a 1922. Pelo Tratado, o Brasil recebeu pagamento com juros pelo café perdido com os navios afundados e ainda incorporou à frota brasileira 70 navios do bloco germânico apreendidos em águas e portos brasileiros. Na esteira dessa participação na Primeira Guerra Mundial e de sua diplomacia, o Brasil foi um dos fundadores da Liga das Nações, entidade que faliu após o Brasil se retirar dela. Após a Segunda Guerra Mundial foi recriada como Organização das Nações Unidas, também com participação decisiva do Brasil

Cidadãos brasileiros e estrangeiros no Brasil


Logo nos primeiros meses da WWI os estrangeiros e naturalizados brasileiros, militares da reserva em seus países se apressaram em se voluntariar nas embaixadas. Os diplomatas organizaram embarques destes voluntários. O primeiro grupo foi de franceses, cujos nacionais estavam em peso na sociedade do Rio de Janeiro, inclusive vários judeus. No cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, há um mausoléu para o ex-combatente francês, onde os nomes do brasileiros tombados defendendo a bandeira da França estão eternizados. Vários dos mortos são judeus e alguns não possuem nem nome nem sobrenome francês indicando que havia brasileiros sem ligação com a França que foram à guerra. O destino de franceses e judeus franceses está intimamente ligado. Não se sabe mais exatamente sobre estes voluntários, os nomes de todos, suas patentes e seus destinos, pois em 1957 desabou um prédio no centro do Rio de Janeiro, que abrigava, entre outros, a Associação do Ex-Combatentes Franceses e a Biblioteca Bialik, que armazenava praticamente todo o acervo de documentação e fotos da imigração judaica para o Rio de Janeiro e de suas instituições. Todos os documentos, livros e fotos, foram perdidos e, lamentavelmente, 30 pessoas faleceram no desabamento, incluindo o presidente da biblioteca. Por outro lado, o dono judeu de uma confecção que ocupava um andar inteiro e tinha mais de 130 funcionárias, após o prédio estalar, ordenou que todas fossem embora para casas, o que as salvou e minimizou o número de mortes ocorridas pouco menos de três horas depois.

Sabe-se pela análise dos jornais que o mesmo perfil de brasileiro lutou pelas cores italianas e inglesas. Quando Portugal entrou na guerra, pelos Aliados, a colônia portuguesa fez vários eventos de apoio e levantamento de fundos e também enviou seus filhos para a carnificina.

Em 2015, em contado com historiadores da ABEC - Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais, foi constatado que brasileiros de origem alemã e imigrantes alemães ainda não naturalizados foram à Alemanha lutar por seu país. No Cemitério Luterano de Friburgo existem túmulos bem identificados da vários destes soldados e também túmulos de tripulantes da Marinha Mercante alemã dos navios arrestados pelo Brasil. Nos estados do Sul brasileiro, nas áreas de colonização alemã também há bom número de túmulos de germano-brasileiros que lutaram e morreram nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial. Em relação a austro-húngaros no Brasil, ainda não foi possível encontrar qualquer documentação.

Recentemente entendeu-se que russos imigrados para o Brasil, e entenda-se aí também os poloneses e algumas outras nacionalidades, e que eram reservistas, foram oficialmente recrutados no Brasil. A Gazeta de Notícias de 4 de maio de 1915, traz uma nota emblemática: "O consul russo no Rio de Janeiro publicou a 20 de abril um edital chamando ás armas os reservistas. Gozarão, dizia ele, dos favores do art. 48 da lei militar, excepção feita das pessoas da religião israelita!" Mas isso não traduzia o que acontecia em solo pátrio onde o número de judeus que serviu ao exército russo e polonês era enorme. Podemos traduzir isso como algo: estes judeus que foram embora da Rússia, que não voltem.

Se você quiser compreender e enorme vulto da participação dos judeus na Primeira Guerra Mundial, já que eles habitavam praticamente todos os países em conflito, sugiro a leitura desta outra matéria, A Guerra Dos Judeus, onde você poderá encontrar muitos dados a análise por país no conflito. Se você já ouviu falar de 100.000 judeus combateram pela Alemanha na WWI, saiba que isso é apenas a pontinha da história. No total, 55% da população adulta masculina judaica do mundo esteve em armas e uniformes na WWI.

Após o Brasil sair da neutralidade houve várias campanhas de arrecadação de fundos para a Cruz Vermelha. A Companhia Israelita de teatro de Heyman Starr promoveu eventos beneficentes. A Sociedade Beneficente e Funerária Israelita (das Polacas) e a União Israelita levantaram fundos entre a comunidade e os enviaram à Cruz Vermelha.

Os judeus brasileiros foram e voltaram (ou não) da guerra sem despertar maior interesse. Mas em 9 de outubro de 1918, chegaram ao Rio, de passagem, 52 voluntários judeus uniformizados do 52o Batalhão de Caçadores do exército argentino. Só que a Argentina nunca declarou guerra à Alemanha e não se sabe o que foi feito destes homens. O jornal "A Epoca" é contundente: "Foi de uma imponência fóra do commum a manifestação de carinho promovida pela colonia israelita aos voluntários seus patrícios vindos de Buenos Aires...

A Associação Sionista do Rio de Janeiro preparou uma acolhida digna aos destemidos voluntários que desembarcaram em meio das mais vivas acclamações." Foi uma recepção que surpreendeu a cidade. Existe o mito da pobreza dos imigrantes, mas não desta leva da primeira década, tanto que a comunidade compareceu no porto com 132 automóveis (seria sem precedentes até mesmo nos dias de hoje) "muitos com bandeiras dos alliados e outros com as de sociedades israelitas." Levando os soldados judeus do Cais do Porto para a sinagoga Tiferet Sion, dirigida pelo emblemático David José Perez. No salão da sinagoga foram recebidos por parte da comunidade, cantaram "Hatikva" (letra antiga) em conjunto. Em nome dos judeus árabes do RJ, discursou em árabe o "sírio sr Aron Atia" que cantou com todos o "Hymno Israelita" (não sabemos o que possa ser).

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09-out-1918 – Publicado pelo jornal Revista da Semana – arquivo pessoal

Os jornais nos deixam conhecer os nomes de alguns destes judeus. Falaram pelos voluntários argentinos o soldado Gustavo Adolpho Buhler, o tenente Wladmir Herman e um jornalista judeu chamado D.M. Menchez, engajado como soldado. Também falaram os outros membros da diretoria da Tiferet Zion, Jacob Schneider, Sinnai Faingold, Boris Tcholrnei e Tuli Sensler.

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09-out-1918 – Publicado pelo jornal A Epoca – arquivo pessoal

Dois dias antes temos um registro curioso da Sociedade Israelita Shel Geumilut Hassadim doando 250$000 "para as primeiras 25 viúvas pobres que se apresentassem" ao jornal "O Imparcial." Eram as "viúvas da peste, ou da Gripe Espanhola. A quantia foi obtida durante a festa de Simcha Torah daquele anos. Outros judeus, se cotizaram e obtiveram mais 600$000 entregues para a Cruz Vermelha na mesma ocasião.

O período da Primeira Guerra Mundial é um período importante para o Sionismo. Vários movimentos no Brasil, a Revolução Comunista, a Declaração Baulfour e a libertação da Palestina do domínio muçulmano turco. Também é um período com intensa perseguição antissemita em vários países europeu dentro e fora da guerra, começam a culpar os judeus pelo comunismo, mas isso é tema para outra matéria.

Bibliografia
PRADO, Maia. D.N.O.G. – Uma página esquecida da Marinha Brasileira. Publicação da Marinha do Brasil, 1961.
FROTA, Guilherme de Andrea. 500 Anos de História do Brasil. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 2000.
EISENSTEIN, Douglas R. . Whispers in the Wind. Xlibris Corp.
MACDONALD, Lyn. 1915, the Death of innoncence.
PARET. Henry Holt Peter. Construtores da Estratégia Moderna. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora
MARTINS, Helio Leôncio, História Naval Brasileira vol V tomo I. Serviço de Documentação da Marinha
KEEGAN, John. An Illustrated History of the 1st World War. Knopf Corp.
TAYLOR, A J P. The First World War - An illustrated history. Penguim Books
HAUTHORNTWAITE, Philip J.. A photohistory of World War I. Brockhampton press

Agradecimento ao SDM – Serviço de Documentação da Marinha do Brasil cuja ajuda e compreensão permitiu o resgate deste momento histórico com ilustrações.

© 2012 – José Roitberg – jornalista e pesquisador
todos os direitos reservados nos termos da lei

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Coca-Cola Ink Blotter ADs–Mata-borrões

An amazing part of Coca-Cola advertising was issue in ink blotters. For people alive at century 21, an ink blotter is a strange pre-historic artifact. Possibly you never saw one. It was a heavy, tick, soft and porous paper card. The use was very simple. When you used ink pens or early animal feathers, the writing smears and blops. Immediately after writing put the ink blotter over the text or signature to absorb excess ink. So, every desk has ink blotters. Everyone who used a pen use a blotter. In the company concept to see the Coca-Cola mark everywhere you look at, put a useful an nice free merchandise on top of every desk sounded very clever. So, look below to see some examples of exclusive arts used at Coca-Cola ink blotters. Perhaps you never noticed about they.

Blotters are things to be used and trashed. It’s a coincidence some have survived. Regular ones worth US 100 to US 1.5000 each. But some of them, mainly form the late 1950s are found, today, unused at original cardboards, closed, never distributed due to the change from ink/pen to ball pens.

When you focus at Coca-Cola advertising you would mind that, Coca-Cola made everything and was the introducer of everything, making all the stuff better then other marks, But this is not true. All marks used ink blotters. The first you will see is form Lemon-Kola by 1910s and Atlantic Motor Oil form 1920s for example. Blotter form other marks are rare because none collect’em.

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Um dos aspectos muito interessantes da propaganda da Coca-Cola são os mata-borrões. Para as pessoas que vivem no século 21, um mata-borrão é um artefato pré-histórico estranho. Possivelmente você nunca viu algum. É apenas um cartão de papel pesado, grosso e absorvente. Quando se usava tinta e penas para escrever sempre havia manchas e respingos. Logo após escrever ou assinar, se colocava o mata-borrão sobre o textos e ele absorvia o excesso de tinta. Então, toda escrivaninha tinha mata-borrões. Todo mundo que escrevia, usava. Dentro do conceito da companhia de você ver a marca Coca-Cola para qualquer lugar que olhasse, colocar um merchandising útil, gratuito, bonito, sobre cada escrivaninha era uma boa ideia. Então veja abaixo alguns exemplos de artes exclusivas usadas no mata-borrões da Coca-Cola. Talvez você nunca tenha conhecido sua existência.

Mata-borrões são coisas para usar e jogar fora. Alguns terem sobrevivido é coincidência.  O preço normal varia de 100 a 1.500 dólares. Já os mais novos, principalmente do final dos anos cinquenta quando o mundo mudava de canetas tinteiro para pontas de esfera, podem ser encontrados hoje em suas caixas originais, não distribuídos, em quantidades surpreendentemente grandes.

Quando você foca na propaganda da Coca-Cola você imagina que a empresa inventou tudo, introduziu tudo e fez tudo melhor que as outras marcas. Mas isso não é verdade. Todas as marcas usaram mata-borrões. O primeiro que você vê é da Lemon-Kola dos anos 1910 e em seguida o a Atlantic dos anos 1920, como exemplo. Os de outras marcas são mais raros, pois ninguém os colecionava.

1910-Lemon-Kola-ink-blotter

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1910

1910 Coca Cola Duster Girl ink Blotter

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1955 – Canada, French and English versions

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1956

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1957 – this is one of the most un-circulated and easy to find new

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